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sábado, 6 de maio de 2017

É necessário e possível uma nova Greve Geral

Greve Geral - Esquerda Online
As centrais sindicais definiram que o próximo passo unitário na luta contra as reformas de Temer é Ocupar Brasília entre 15 e 19 de maio. Nos dedicaremos com tudo a esta tarefa, sem qualquer vacilação. Vamos para as plenárias, reuniões de base, locais de trabalho, universidades e escolas batalhar para levar o maior e mais representativo número de pessoas que estiver ao nosso alcance.
Brasília é importante, mas neste momento é totalmente insuficiente. O Governo Temer está decidido e trabalha todos os dias pela aprovação das reformas. A iniciativa segue nas mãos da classe dominante. A grande mídia, o Congresso Nacional e o Presidente golpista colocaram uma agenda de retrocessos em curso, são vários projetos e propostas que representam um atraso de mais de 70 anos nos direitos trabalhistas e sociais conquistados no Brasil. Eles não vão parar, nossa única saída é a luta social organizada.
O dia 28 de abril foi uma gigantesca demonstração de força. O lema “vamos parar o Brasil” não foi apenas uma expressão panfletária. Nas capitais e centenas de outras cidades médias e pequenas a última sexta feira mais parecia um domingo ou feriado. E tudo isso ocorreu com o apoio popular, o resultado das pesquisas de opinião foi inquestionável: a grande maioria da população está contra as reformas.
Por isso uma nova greve geral é necessária e possível. É necessária porque precisamos impedir as reformas. É possível porque a classe demonstrou disposição de luta. A decisão tomada pelas centrais sindicais de não marcar desde já uma nova greve geral é um erro grave, que poderá ter profundos impactos no futuro da mobilização.
As centrais sindicais
Nove centrais assinam o Manifesto publicado no dia de ontem. Entre elas existem políticas e estratégias muito diferentes, por isso existem diferentes visões de como seguir a luta. A maioria da direção da Força Sindical, ligada ao Solidariedade é parte do Governo Temer, sua estratégia e a negociação em busca de mudanças nas reformas.
No dia 26 de abril o Deputado Paulinho da Força reuniu-se com Temer e ameaçou deixar o governo se o presidente não fizesse a seguinte mudança na reforma trabalhista: a retirada do fim do imposto sindical e da cláusula que cria representantes por empresa com poder de negociação.
A estratégia da maioria da direção da Força é mobilizar para negociar em melhores condições com o Governo. Paulinho está mais preocupado em proteger os interesses da burocracia sindical do que os interesses dos trabalhadores. É isso o que explica porque foram contra construir desde já uma nova greve geral.
A CUT, central com amplo poder de mobilização tem uma posição totalmente diferente da Força em relação ao Governo Temer, a CUT foi contra o golpe e está na oposição ao Governo. Justamente por isso poderia ter colocado a direção da Força Sindical contra a parede. Bastava ter defendido no dia de ontem uma nova data de greve geral. Mas isso não ocorreu. O presidente da CUT, Vagner Freitas, abriu a reunião apresentando desde o início a decisão de não definir desde agora uma nova greve geral. A estratégia eleitoral “Lula 2018” começa a mostrar seus limites e impactos na condução da luta. O movimento mostrou força, um passo em frente pode ser dado. Nossa estratégia deve ser derrubar as reformas e lutar pela queda de Temer nas ruas. 2018 será tarde demais.
As únicas vozes dissonantes na reunião foram os posicionamentos da CSP Conlutas e da Intersindical. Coerente com as necessidades e com a disposição da classe trabalhadora neste momento essas centrais apresentaram a proposta de marcar uma greve de 48 horas. Isso não seria contraditório com a ida à Brasília. A greve é a proposta capaz de envolver o povo, parar as cidades, pressionar em outro patamar o Governo e a classe dominante.
 Ainda é tempo: as centrais devem marcar uma nova Greve Geral
A nota divulgada pelas centrais assume que: “Se isso ainda não bastar, as Centrais Sindicais assumem o compromisso de organizar um movimento ainda mais forte do que foi o 28 de abril.” Já está claro que isso não basta, o Governo não retrocedeu um milímetro. Acelerou o trâmite da reforma da previdência, aprovando o projeto em Comissão nesta semana.
Sabemos que muitos trabalhadores e muitos sindicatos estão dispostos a construir uma nova greve geral. Em todas as plenárias, comitês, assembléias de base e reuniões de representantes é hora de abraçar duas tarefas: construir a semana de luta em Brasília e exigir das centrais uma nova reunião formal para marca data de uma nova greve geral. Este movimento na base pode ser vital neste momento. Não temos tempo a perder.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Presidenta da UBES é agredida na Câmara ao rebater Escola Sem Partido

Fonte UBES
Apesar de atacada na comissão do PL 7180, Camila Lanes explicou que o problema vivido pelos estudantes não é de “doutrinação”, mas sim falta de estrutura 

“É lamentável que esta Casa esteja debatendo uma suposta doutrinação de estudantes enquanto a escola pública enfrenta problemas reais, como falta de estrutura, de material didático e até de merenda”, afirmou nesta terça (21) a presidenta da União Brasileira dos Estudantes, Camila Lanes, em audiência pública sobre o PL 7180/14 e apensados, do Projeto Escola Sem Partido. Chamado pelos estudantes de “Lei da Mordaça”, o projeto limita a autonomia de educadores e educandos em nome de uma suposta neutralidade.
A fala de Camila, de 16 minutos, foi por 8 vezes interrompida por desrespeitos da plenária advertidos pela mesa diretora. Após o término dos trabalhos, enquanto deixava a sala, a estudante foi empurrada por alguns dos presentes sob gritos de “vadia” e “vagabunda”. A presidenta da União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF), Thays Oliveira, que acompanhava Camila, também sofreu as agressões físicas e verbais. Elas prestaram queixa ​e as imagens das câmaras devem ser analisadas.
Audiência pública
O debate fez parte dos trabalhos da comissão especial que avalia o PL na Câmara dos Deputados. “Nas escolas, debatemos os vários lados com mais liberdade e respeito do que está acontecendo nesta Casa”, disse a representante estudantil.
Além de exibir cartazes que deslegitimam a entidade secundarista, ​deputados​ sustentaram que as escolas brasileiras sejam ambiente de “catequização de esquerda” e “preconceito contra cristãos”. Flávio Bolsonaro (PSC) e Marcos Feliciano (PSC) entraram em embate direto com a presidenta da UBES, ao questionar a representatividade da entidade. “A definição contra o Escola Sem Partido foi definida em plenária com líderes estudantis do País todo, no 3º Encontro Nacional de Grêmios”, explicou ela.
Camila convidou os deputados para que conheçam a realidade do ensino público. Segundo ela, as diversas perspectivas de cada tema já são apresentadas pelos livros didáticos e professores: “Aprendemos tanto sobre os dirigentes do regime militar quanto sobre os estudantes mortos”. E afirmou: “Ocupei minha escola no Paraná sem que nenhum professor tenha me orientado para isso. A juventude pode, consegue e está, sim, se organizando por uma educação de qualidade”.
Outros convidados da audiência foram a professora da Universidade do Pará Maria da Graça Campagnolo e o advogado Felipe Barros Ribeiro, para defender o projeto. Contrários ao PL, estiveram presentes Camila Lannes e Gelcivânia Mota Silva, representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação (Undime).
O PL 7180/14
De autoria de Erivelton Santana (PSC), o projeto determina que a escola “respeite as convicções das famílias dos estudantes”. Pela regra, um professor que fosse dar uma aula sobre o evolucionismo de Darwin, numa classe em que houvesse estudantes que acreditam no criacionismo, poderia ser questionado e até responder por um processo administrativo. Junto com este projeto, estão sendo analisadas outros semelhantes, como o que institui o “Escola Sem Partido” e outro que proíbe até a distribuição de livros sobre orientação sexual nas escolas.
Além destes na Câmara dos Deputados, projetos de lei baseado na doutrina “Escola Sem Partido” correm em diversas casas legislativas pelo Brasil, seja em âmbito municipal ou estadual. Em Alagoas, onde foi aprovado projeto semelhante, ele foi julgado como inconstitucional.